Município protocolou uma ação civil pública contra a empresa, reforçando a gravidade da situação enfrentada pela população
A crise no abastecimento de água em Vacaria voltou a ser amplamente debatida no plenário da Câmara, com manifestações contundentes dos líderes partidários, que relataram problemas recorrentes na qualidade do serviço prestado pela concessionária Corsan/Aegea. As declarações ocorreram no mesmo momento em que o Poder Executivo Municipal protocolou uma ação civil pública contra a empresa, reforçando a gravidade da situação enfrentada pela população.
A líder da bancada do PSDB, Deise Montanari, destacou que os questionamentos não se limitam à interrupção do fornecimento, mas atingem diretamente a qualidade da água que chega às residências. Segundo ela, são inúmeros os relatos de água com odor, coloração e sabor alterados, além de cobranças consideradas indevidas.
“Isso não é politicagem. Estamos falando de saúde pública. Já não há mais explicação plausível para o que está acontecendo, e não podemos mais esperar”, afirmou, ressaltando a ausência de respostas da concessionária a ofícios, mensagens e pedidos formais encaminhados pelo Legislativo.
Na mesma linha, o líder do União Brasil, Carlos Zibetti, classificou como absurda a situação vivida pelo município, especialmente em um momento em que Vacaria recebe milhares de visitantes durante o Rodeio Crioulo Internacional.
“É inadmissível termos a maior festa tradicionalista do mundo acontecendo e a população consumindo água imprópria. A cidade está em evidência e o serviço prestado não corresponde à dignidade que o cidadão merece”, pontuou. O vereador defendeu medidas mais enérgicas e maior pressão pública para que a concessionária realize os investimentos necessários.
O líder do Republicanos, Valdemir de Oliveira,Papado, também manifestou preocupação com os rumos da situação após a privatização da companhia. Para ele, a população já vem pagando o preço da precariedade do serviço e precisa de respostas concretas.
“Quem vai pagar essa conta somos nós. A água é um bem essencial, e o que está acontecendo é muito grave”, afirmou, defendendo união política e institucional para ampliar a cobrança.
Já o líder do Progressistas, George Pires, reforçou que o acesso à água potável e ao saneamento básico é um direito fundamental. Ele citou relatos de pessoas adoecidas, falta de água nos fins de semana e a precariedade do serviço como evidências de que Vacaria vive um dos piores cenários do Estado na área.
“Estamos falando de um direito humano básico. Hoje, Vacaria é um exemplo negativo, e isso não pode continuar”, declarou. O vereador também mencionou a mobilização do Legislativo, incluindo a possibilidade de análises independentes da água, para subsidiar a ação judicial movida pelo Executivo.
O líder do governo na Câmara, Douglas Cenci, destacou que o problema atinge a todos de forma igual. Segundo ele, a mesma água que chega às residências dos bairros é a que chega à sua casa e à de sua família, o que caracteriza uma situação inaceitável de desrespeito à população.
Douglas ressaltou que, além do mau odor, a situação representa um risco à saúde pública e criticou a falta de informações claras por parte da concessionária. O vereador também mencionou relatos de contas com valores elevados e reforçou a necessidade de buscar meios legais para corrigir distorções na medição do consumo.
O líder do governo elogiou a postura do prefeito ao notificar a empresa e ingressar com ação civil pública, afirmando que a administração municipal tem feito a cobrança necessária. “A população cansou e a situação não pode continuar como está”, afirmou, defendendo transparência, responsabilidade e providências concretas.