Diretor técnico do hospital, médico Flávio Nery, apresentou na Tribuna Livre resultados do Proadi-SUS; trabalho alcançou redução de 100% em infecções sanguíneas associadas a cateter e de 81% nas relacionadas à ventilação mecânica
O diretor técnico do Hospital Nossa Senhora da Oliveira (HNSO), médico Flávio Nery, participou da Tribuna Livre da Câmara Municipal para apresentar os resultados obtidos pela instituição por meio de um projeto desenvolvido no âmbito do Proadi-SUS. A iniciativa tem como foco a redução das infecções relacionadas à assistência à saúde na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Durante a apresentação aos vereadores, Nery explicou que o programa possibilita a transferência de conhecimento e experiências de hospitais de excelência para instituições filantrópicas e unidades que atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). O HNSO já participou de outros dois projetos e, no atual ciclo, iniciado em 2024 e com conclusão prevista para 2026, recebe acompanhamento do Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre.
O projeto está presente em 26 unidades da Federação, abrangendo 194 cidades, 275 hospitais, 276 UTIs e 3.473 leitos de terapia intensiva. O trabalho concentra esforços na prevenção de três tipos principais de infecção relacionados à assistência hospitalar: infecções sanguíneas associadas a cateteres, pneumonias relacionadas à ventilação mecânica e infecções urinárias associadas ao uso de sondas.
HNSO alcança redução de 100% em um dos indicadores
Entre os resultados apresentados, um dos principais destaques está nas infecções sanguíneas relacionadas ao uso de cateter. Conforme Flávio Nery, a UTI do HNSO iniciou o projeto com uma média de 3,47 e tinha como meta reduzir o indicador para 1,7. Desde 2025, porém, a unidade não registra nenhuma infecção desse tipo, alcançando redução de 100%.
Outro avanço expressivo ocorreu nas infecções relacionadas à ventilação mecânica. A linha de base era de 13,8, com meta de redução para 6,5. Com as medidas adotadas durante o projeto, o hospital conseguiu uma redução de 81%.
Em relação às infecções urinárias associadas ao uso de sondas, o hospital ainda não havia alcançado a meta nos dados consolidados apresentados. Nery explicou, entretanto, que novas medidas já foram adotadas após a identificação de fragilidades nos processos e que os indicadores mais recentes vêm apresentando melhora, aproximando-se do objetivo estabelecido.
Projeto estima 27 mortes evitadas no HNSO
Além da melhoria da qualidade e da segurança da assistência, o diretor técnico destacou o impacto do projeto na prevenção de mortes e na redução de custos decorrentes de infecções hospitalares.
Segundo os dados apresentados por Nery, os resultados alcançados pelo HNSO durante o triênio representam uma estimativa de 27 mortes evitadas. O trabalho também teria evitado R$ 958.227,72 em gastos adicionais relacionados às infecções, considerando somente as ações desenvolvidas dentro da UTI. O médico explicou que uma infecção adquirida durante a internação pode aumentar significativamente o custo do tratamento. Conforme os dados apresentados, uma infecção urinária pode acrescentar cerca de R$ 34 mil ao custo de uma internação, enquanto uma infecção respiratória representa aproximadamente R$ 40 mil e uma infecção sanguínea, R$ 26 mil.
Experiência deverá ser ampliada para outros setores
Embora o projeto esteja atualmente concentrado na UTI, a intenção do HNSO é utilizar o conhecimento adquirido para ampliar as práticas aos demais setores da instituição. Segundo Nery, a UTI funciona como uma espécie de projeto-piloto, permitindo identificar acertos, dificuldades e processos que poderão posteriormente ser adaptados às demais áreas do hospital.
Ao encerrar sua participação na Tribuna Livre, o médico ressaltou que, apesar dos resultados positivos, o objetivo permanece sendo reduzir ao máximo as ocorrências. Para ele, os indicadores não podem ser observados apenas como estatísticas, pois cada caso representa uma pessoa e uma família.
Nery reforçou que o principal propósito das ações é melhorar a qualidade do atendimento, evitar infecções e, principalmente, preservar vidas. O trabalho de prevenção, segundo ele, precisa ser permanente, acompanhando a evolução da medicina e incorporando continuamente novas práticas à assistência prestada à população.