Deise Montanari e Orlando Ribeiro solicitam projetos, estudos e autorizações relacionados à obra e defendem atenção à preservação do patrimônio histórico e à mobilidade urbana
Os vereadores Deise Montanari e Orlando Ribeiro, ambos do PSDB, apresentaram o pedido de informação nº 113/2026, solicitando ao Poder Executivo uma série de esclarecimentos e documentos referentes à execução da Rua Coberta, na Dr. Flores, centro de Vacaria. A principal preocupação apresentada pelos vereadores é a proximidade da nova estrutura com o Casarão Libório Rodrigues, cuja fachada é tombada pelo Município. O documento destaca que intervenções urbanísticas realizadas nas proximidades de bens tombados devem observar as normas de proteção do patrimônio cultural, especialmente quanto à integridade, ambiência e visibilidade. O pedido menciona ainda a Lei Municipal nº 2.275/2005 e o Decreto-Lei Federal nº 25/1937.
Entre as informações solicitadas estão a cópia integral do projeto arquitetônico e urbanístico da Rua Coberta, a planta de implantação e a distância entre a estrutura e a fachada do Casarão Libório Rodrigues. Os vereadores também questionam se o projeto foi submetido previamente à análise do Conselho Municipal do Patrimônio Ambiental, Histórico-Cultural e Arquitetônico (COMPAMCHA) e pedem acesso a eventuais atas, pareceres, resoluções ou autorizações.
Orlando Ribeiro questiona localização da obra
Ao comentar o pedido, Orlando Ribeiro afirmou que sua preocupação não é com a implantação da Rua Coberta em si, mas com a localização escolhida. Segundo o vereador, é necessário avaliar os possíveis reflexos da estrutura sobre o patrimônio histórico, a mobilidade no entorno da praça Daltro Filho, o trânsito e o paisagismo da região.
“A preocupação é se vale a pena nós perdermos um dos poucos patrimônios históricos e culturais do nosso município, perdermos a mobilidade da Praça Central, a mobilidade no trânsito, para fazer a Rua Coberta naquela localização”, declarou.
Orlando reforçou que não é contrário à Rua Coberta, mas entende que deveria ser estudada outra localização. Para ele, a área central exige cuidados também em razão das características arquitetônicas e paisagísticas da Praça. O vereador destacou ainda que o pedido busca verificar se houve acompanhamento dos órgãos responsáveis pela preservação do patrimônio e se profissionais com capacidade técnica avaliaram os possíveis impactos da construção sobre o Casarão Libório Rodrigues.
“A questão não é uma opinião do vereador. Foi feito um levantamento técnico, embasado em leis municipais, estaduais e federais, que defendem esse patrimônio”, afirmou.
Na avaliação de Orlando, como os trabalhos ainda estariam em uma etapa inicial, seria possível discutir uma eventual mudança de localização da estrutura.
Deise Montanari detalha informações solicitadas
A vereadora Deise Montanari explicou que o pedido reúne uma série de questionamentos técnicos. Entre eles estão o projeto arquitetônico e urbanístico completo, a planta demonstrando a implantação da Rua Coberta em relação ao Casarão e informações sobre a distância entre a estrutura e a fachada tombada.
“Solicitamos projeto arquitetônico, urbanístico completo, a planta demonstrando a implantação da Rua Coberta em relação ao Casarão, informações sobre a distância entre a nova estrutura e a fachada tombada também, verificando eventuais alterações no projeto devido à existência do patrimônio histórico”, explicou.
Deise acrescentou que os vereadores querem saber quais análises foram realizadas pelos órgãos de proteção ao patrimônio e ter acesso às respectivas atas, pareceres, resoluções ou autorizações. Caso não tenha ocorrido essa análise, o pedido solicita a identificação do órgão ou profissional responsável pela avaliação. Também são solicitadas informações sobre a existência de estudo de impacto visual, arquitetônico e cultural e sobre eventual interferência da estrutura na visibilidade da fachada tombada.
“É muito importante essa questão. Queremos esclarecer se a Rua Coberta poderá reduzir ou prejudicar a visibilidade da fachada tombada e conhecer as medidas previstas para preservar a valorização do Casarão”, ressaltou Deise.
O documento solicita ainda informações sobre eventuais vistorias técnicas realizadas no imóvel, documentação de responsabilidade técnica, alvarás, licenças e pareceres, além do valor atualizado da obra, empresa responsável, modalidade de contratação e fonte dos recursos utilizados.
Revitalização e preservação
Deise Montanari ressaltou que o objetivo da iniciativa é buscar a conciliação entre a revitalização da região central e a proteção do patrimônio histórico de Vacaria. “Esse pedido busca conciliar a revitalização do nosso centro de Vacaria com a preservação do patrimônio histórico. A intenção não é impedir a obra, mas assegurar que ela respeite a legislação e não comprometa a integridade, a ambiência e a visibilidade do Casarão Libório Rodrigues”, afirmou.
Segundo a vereadora, por se tratar de um patrimônio pertencente à comunidade, o Casarão deve ser considerado nas intervenções urbanas realizadas em seu entorno. A justificativa do Pedido de Informação segue a mesma linha e afirma que a iniciativa não pretende impedir a revitalização do centro, mas garantir que o desenvolvimento urbano ocorra em harmonia com a preservação da história e da identidade cultural do Município.