Presidente da Agapa alerta para crise na produção de alho e recebe apoio na Câmara de Vacaria

Data de publicação

20/10/2026

Data de atualização

20/10/26 09:13:11

Presidente Pingo Rezende assinou moção de apoio às demandas do setor, que reivindica medidas nacionais para enfrentar os impactos das importações

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Segundo a dirigente, em 2025, o custo para produzir um quilo de alho chegou a R$ 13, enquanto o valor recebido pelo produtor ficou em aproximadamente R$ 5,50 | Crédito: Saulo Vargas

A crise enfrentada pelos produtores de alho foi tema do pronunciamento da presidente da Associação Gaúcha dos Produrtores de Alho (Agapa), Franchielli Motter, na tribuna da Câmara de Vereadores de Vacaria na sessão desta segunda-feira,19/10. Ao apresentar as dificuldades da atividade, ela pediu apoio dos parlamentares para encaminhar reivindicações ao Governo Federal. O presidente do Legislativo, vereador Pingo Rezende, assinou uma moção de apoio às demandas do setor.
Durante a manifestação, Franchielli afirmou que a combinação entre custos elevados, perdas provocadas por eventos climáticos e concorrência com o alho importado tem comprometido a renda dos agricultores e a continuidade da produção.

Segundo a dirigente, em 2025, o custo para produzir um quilo de alho chegou a R$ 13, enquanto o valor recebido pelo produtor ficou em aproximadamente R$ 5,50. A diferença, conforme relatou, aprofundou o endividamento e reduziu a capacidade de investimento nas propriedades.
“Muitos produtores não terão condições de plantar e programar a próxima safra. Ele não tem mais onde buscar recurso”, alertou.

A presidente da Agapa também destacou a redução da área cultivada no Sul do país e relatou casos de agricultores que diminuíram o plantio de 25 para apenas dois hectares, mantendo a atividade principalmente para preservar sementes e tentar retomar a produção futuramente.
Conforme Franchielli, os efeitos dessa situação ultrapassam as propriedades rurais, atingindo a geração de empregos, o comércio e a renda dos municípios. Ela também chamou a atenção para a perda de diversidade produtiva e para as dificuldades de sucessão familiar no campo.
“Como é que os filhos da gente vão ficar no campo, vão trabalhar, se não têm uma perspectiva de renda?”, questionou.

Demandas do setor

Na tribuna, a dirigente apresentou três reivindicações: a revogação do compromisso de preços mínimos firmado com empresas chinesas; o restabelecimento da cobrança da tarifa antidumping sobre o alho chinês nas operações em que, segundo ela, decisões judiciais permitem a entrada sem o recolhimento; e a adoção de medidas antidumping para o alho argentino.

Franchielli afirmou que a entrada do produto argentino coincide com o período de comercialização da safra do Sul, dificultando o escoamento da produção regional. Na avaliação da entidade, são necessárias medidas que assegurem condições mais equilibradas de concorrência.
A presidente explicou que a mobilização busca reunir apoio de outras 12 câmaras de vereadores para fortalecer os encaminhamentos junto aos representantes federais e aos órgãos responsáveis.

Com a assinatura da moção, Pingo Rezende formalizou apoio às reivindicações apresentadas pela Agapa. Ao encerrar o pronunciamento, Franchielli reforçou a importância da união de esforços para preservar a atividade e as famílias que dependem dela. “A gente precisa unir forças para proteger o nosso produtor, porque não perde somente a renda do produtor. Estamos perdendo diversidade, sucessão familiar e renda dos municípios”, concluiu.

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